Amigos

Professora de Artes Plásticas formada na Universidade Mackenzie ,que sente, ama e cria Artes.

Minha foto

Artista plástica e professora na rede municipal de São Paulo.

terça-feira, 16 de junho de 2015

A TRAJETÓRIA SURREALIASTA DE MIRÓ


ARTISTAS: JOAN MIRÓ
CURADORIA: INSTITUTO TOMIE OHTAKE  E FUNDAÇÃO JOAN MIRÓ
DE 24/5 A 16/8
ENDEREÇO: AVENIDA BRIGADEIRO FARIA LIMA, 201 - PINHEIROS - SÃO PAULO - SP CEP 01451-001
TELEFONE: (11) 2245-1900
Um dos mais adorados artistas do século 20, o catalão Joan Miró (1893-1983) impressiona gerações através dos séculos. Exemplo da atualidade de suas ideias é a fundação dedicada ao artista em Barcelona, que só em 2014 recebeu 650 mil visitantes. Para os brasileiros se aproximarem das obras do surrealista, a oportunidade será na maior exposição já dedicada ao artista no país, que acontece entre os dias 24 de maio e 16 de agosto, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.
“Joan Miró - A Força da Matéria”, organizada pelo instituto em parceria com a Fundação Joan Miró de Barcelona, e os patrocínios da Arteris e do Bradesco, apresenta 112 obras entre pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, objetos e fotografias que contam a trajetória do pintor. Depois a exposição seguirá para o Museu de Arte de Santa Catarina, em Florianópolis, onde poderá ser vista de 2 de setembro a 14 de novembro.
A exposição, com obras selecionadas pela Fundação Joan Miró, divide-se em três grandes blocos cronológicos que coincidem com momentos vitais do artista nos quais vai atribuir à matéria um papel preponderante.
Nos Anos 30 e 40, as pinturas e desenhos da época da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial manifestam o início do interesse de Miró pela matéria. No período, seu caráter transgressor também se evidencia, sobretudo no terreno dos procedimentos técnicos. Mas foi no final dos anos 20 - após suas primeiras temporadas em Paris e o contato com artistas como Picasso, Masson e poetas como André Breton e Paul Éluard, da vanguarda surrealista - que Miró manifestou de forma explícita seu propósito de "assassinar a pintura", referindo-se à intenção de terminar com a concepção clássica da pintura de cavalete. É neste momento que Miró começa a fazer suas conhecidas colagens e objetos a partir de assemblage de materiais diversos.
Já nos Anos 50 e 60, com a presença maior de técnicas diversas, destaca-se o interesse continuado do artista pela experimentação da matéria, que o levará a trabalhar de forma profusa no campo da escultura, enquanto nos Anos 70 verifica-se como Miró, sobre suportes mais inusitados, segue questionando o sentido final da arte. Neste período, uma importante coleção de gravuras indica a destreza do artista a desafiar os padrões da técnica.
Paulo Miyada, curador do Instituto Tomie Ohtake, defende que a obra de Miró coloca em questão um aspecto tão determinante quanto subreptício na história da arte moderna: a espontaneidade. "A liberdade do traço de Miró seria uma força iconoclasta, gesto de física entrega de si mesmo ao desconhecido e inominado que não é bem o inconsciente, mas a espontânea canalização de energia e vontade através da materialidade da pintura", afirma.
Em Joan Miró - A Força da Matéria, segundo os curadores da Fundação, busca-se evidenciar o desafio que, desde os anos vinte, o artista manteve com as artes plásticas do mundo ocidental por seu afã ilusionista, para recuperar as qualidades espirituais e mágicas que a pintura e as artes em geral haviam tido na Antiguidade. A busca por uma criação primitiva, essencialmente artística, de reinvenção do olhar se dá, em seu trabalho, através da resignificação dos símbolos e signos.
"Começar de novo a cultura implica abrir o futuro com a lúcida reflexão acerca do princípio de todas as coisas. O gesto de Miró é uma génese tout court. (...) As obras de Miró parecem conscientes da dimensão mágica, quase protetora, da expressão e, ao criar visões para o mundo das ideias, como das coisas puras, reacende, sublinha, o aspecto milagroso da natureza e da vida. A arte regressa ao seu propósito de implicar verdadeiramente com a espiritualidade. A arte é um cuidado espiritual", aponta o escritor angolano radicado em Portugal, Valter Hugo Mãe, que escreve o texto concebido especialmente para a exposição de Miró no Brasil.
O artista, apaixonado pela pequena cidade de Mont-Roig, na região de Tarragona, na Catalunha, e as tradições populares e culturais espanholas, entendia que teria que buscar novas formas de recuperação da cultura da matéria, próxima aos povos ditos primitivos e, para isso, experimenta com os mais heterogêneos materiais, transformando-os por meio de inesperados procedimentos técnicos. "O interessante é perceber que a opção de Miró por uma linguagem mais despida o coloca verdadeiramente entre as sabedorias populares, como se emanasse como uma natureza efetivamente primordial, estrutural, capaz de se ausentar do que a cultura mascarou para se encontrar no ponto de partida, como alguém que reinaugura a cultura para reinaugurar a expressão", escreve Valter Hugo Mãe.
Grupo de personagens no bosque, 1931, Joan Miró / Créditos: © Successión Miró, Miró, Joan AUTVIS, Brasil, 2015 
O artistaJoan Miró nasceu em Barcelona, em 1893 e, ainda muito jovem, participou das vanguardas artísticas que agitaram a vida cultural espanhola no inicio do século XX. Desde o início, Miró praticou uma pintura de colorido intenso, com forte influência do movimento fauvista, que, na França, teve como seus principais expoentes os artistas Henry Matisse e Maurice de Vlaminck. Uma grave doença levou-o a passar uma longa fase em Mont-roig ("Monte Vermelho" que inspiraria suas cores). Nesse período, resolveu dedicar-se inteiramente à pintura. A vida, o trabalho no campo e a forte paisagem da região exerceram grande influência na formação de sua linguagem plástica.
Miró viajou a Paris pela primeira vez em 1920 e o impacto artístico e cultural da cidade sobre ele foi de tal ordem que permaneceu sem pintar durante toda a sua estadia parisiense. Entretanto, se aproximou das artes de vanguardas: conheceu o revolucionário cubista Pablo Picasso e impressionou-se com as ideias de Tristan Tzara, o grande agitador do movimento Dada, fez amizade com André Masson e inúmeros intelectuais. André Breton, líder do movimento surrealista afirmou que "Miró é o mais surrealista de todos nós", ao se referir aos outros artistas membros daquele movimento.
Miró nutriria grande simpatia pelo movimento, mas permaneceu sempre independente. A liberdade será, durante toda a sua vida, um modo de pensar e de pintar.
Cabeça, 1979, Joan Miró / Créditos: © Successión Miró, Miró, Joan AUTVIS, Brasil, 2015
ServiçoExposição: Joan Miró - A Força da Matéria
Datas e horários: De 24 de maio a 16 de agosto de 2015. De terça a domingo, das 11h às 20h.
Entrada: R$10,00 e R$5,00 (até 10 anos grátis); às terças grátis; compra de ingressos: ingresse.com, aplicativo do Instituto Tomie Ohtake, ou na bilheteria do Instituto de terça a domingo, das 10h às 19h.
Local: Instituto Tomie Ohtake, Av. Faria Lima, 201 (entrada pela Rua Coropés, 88) - Pinheiros.

Confira a Analise de Fernando Davis sobre a exposição. Acesse o link.
Postar um comentário